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Onze mitos e verdades sobre o que realmente pode comprometer a eficácia dos contraceptivos

Informações desencontradas sobre a eficácia dos contraceptivos podem levar a comportamentos de risco. Situações como esquecer a pílula, tomar antibiótico durante o uso ou fazer tratamento com canetas emagrecedoras são algumas questões que levantam dúvidas.

Segundo a ginecologista e professora da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, Ítala Ariane, fatores como uso incorreto, interações medicamentosas e até hábitos do dia a dia podem, sim, comprometer a eficácia dos métodos contraceptivos. Para ajudar, a médica ítala Ariane esclarece o que é mito e verdade e como garantir uma proteção segura e eficaz.

De acordo com a professora da Afya, alguns dos mitos que rondam o tema são fruto da falta de orientação e diálogo aberto com o profissional de saúde. Ela destaca, nesse sentido, que durante o processo de formação, os estudantes do curso de Medicina da Afya Itacoatiara passam por treinamentos para manter uma escuta ativa dos pacientes, orientando-os sobre as melhores escolhas de tratamento, inclusive de contraceptivos.

“O que é bom para uma mulher, pode não ser o ideal para outra. Por isso, os alunos devem manter um diálogo aberto com os pacientes para sanar todas as dúvidas. Essa prática eles adquirem durante todo o curso, com os projetos de extensão e atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS)”, afirmou.

 

  1. Esquecer um comprimido realmente pode cortar a eficácia do anticoncepcional ou é exagero?

Verdade. Dependendo do tempo de esquecimento e do período, principalmente se acontecer no início ou no fim da cartela, a eficácia é comprometida.  Por isso, é importante avaliar o melhor anticoncepcional para cada pessoa. Se é uma mulher que esquece com frequência, o ideal é usar uma medicação que não exija essa rotina de horário.

  1. Mulheres em tratamento com mounjaro têm maior chance de o contraceptivo falhar?

Verdade. Pode acontecer com mulheres que utilizam contraceptivos orais, pois o mounjaro retarda o esvaziamento do estômago, o que pode atrapalhar a absorção do comprimido. Por isso, muitas vezes indicamos métodos não orais, como DIU, injeção e implanon, além do uso do preservativo em todas as relações.

 

  1. Tomar a pílula fora do horário habitual interfere na proteção? Em quanto tempo de atraso o risco aumenta?

 

Verdade.  O tempo de tolerância depende do tipo de hormônio que a paciente usa. No caso dos anticoncepcionais só com progesterona, por exemplo, se o atraso passar de três horas já há comprometimento na proteção. Os anticoncepcionais que contém dois hormônios (estrogênio e progesterona) a tolerância de atraso é de até 12 horas. Quando acontecer essa situação, a orientação é tomar o comprimido ‘esquecido’ logo que lembrar e a próxima pílula da cartela no horário habitual.

  1. Vômitos ou diarreia após tomar a pílula comprometem o efeito contraceptivo?

Verdade. Se houver vômito até duas horas após tomar a pílula, é como se ela não tivesse sido absorvida. Diarreia intensa por mais de 24h também pode reduzir a eficácia.

 

  1. Antibióticos reduzem mesmo a eficácia da pílula? Quais medicamentos merecem atenção?

Mito. A maioria dos medicamentos disponíveis não reduz a eficácia. O único antibiótico, que realmente interfere, é a rifampicina, que é usada no tratamento de tuberculose e hanseníase.

  1. Atrasar a data da injeção anticoncepcional pode deixar a mulher desprotegida?

Verdade. A injeção mensal tem uma margem pequena de atraso de sete dias e a trimestral de até 14 dias. Mas o ideal é tomar no dia correto, para não diminuir a eficiência.

 

  1. O adesivo anticoncepcional pode perder eficácia se descolar parcialmente ou com suor excessivo?

Verdade. Se o adesivo descolar e ficar mal aderido à pele por mais de 24 horas, a proteção pode cair. Muito suor e calor excessivo aumentam esse risco.

  1. O DIU pode “sair do lugar” sem a mulher perceber e perder a eficácia?

 

Depende. Se for o DIU hormonal, mesmo que saia do lugar ele continua liberando hormônio e cumprindo sua função. Se for o DIU de cobre ou prata, caso desloque, apesar de não ser algo rotineiro, a proteção pode diminuir. Por isso que mulheres que usam DIU precisam fazer ultrassom transvaginal para acompanhamento regularmente.

 

  1. O implante hormonal perde sua eficácia logo após completar três anos?

Mito. Não é imediato, ele não “desliga” de um dia para o outro. Inclusive nos Estados Unidos atualizaram o tempo de ação do Implanon para cinco anos.

  1. Usar dois preservativos ao mesmo tempo aumenta a proteção?

Mito. Usar mais de um preservativo ao mesmo tempo aumenta o atrito, o que facilita o rompimento e saída da camisinha durante o sexo.  O que indicamos é usar o preservativo associado a outro método anticoncepcional, como pílula oral, injeção, implante ou demais opções.

  1. Guardar camisinha na carteira ou no carro pode reduzir sua eficácia?

Verdade. O calor e o tempo danificam o látex. O ideal é guardar em local fresco e protegido.

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