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Ameaça invisível no verão amazônico: fumaça exige cuidados redobrados com a saúde respiratória em Manaus 

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Com a piora da qualidade do ar na capital, decorrente de queimadas e estiagem, especialista em enfermagem orienta medidas práticas para proteger o organismo contra as micropartículas tóxicas
 
A chegada do pico do verão amazônico volta a acender o alerta para os impactos do tempo seco e do avanço das queimadas na saúde da população. Em setembro, a plataforma IQAir registrou episódios recorrentes em que o Índice de Qualidade do Ar (IQA) em Manaus atingiu as categorias “muito ruim” e “péssimo”.
Em dias críticos, a concentração de partículas finas suspensas no ar (PM_{2,5}) superou marcas superiores a 80 \mu g/m^3 nos bairros de Compensa, Parque Dez e Aparecida, por exemplo. Esses níveis são considerados insalubres e muito acima dos limites seguros recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O aumento nos focos de calor na Região Metropolitana e no interior do Estado contribui para a permanência de uma névoa densa que encobre a cidade e afeta diretamente a saúde respiratória.
A fuligem presente na atmosfera não provoca apenas desconforto visual e odor desagradável. Suas micropartículas são pequenas o suficiente para ultrapassarem as barreiras naturais das vias aéreas superiores, atingindo o interior dos pulmões e caindo na corrente sanguínea. O quadro é agravado pelas altas temperaturas e baixa umidade do ar, típicas do período.
Para o coordenador do curso de Enfermagem do UNINORTE – Centro Universitário do Norte, Igor Klisman, a atenção deve ser imediata e preventiva, especialmente para grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades respiratórias. “Neste período de estiagem e fumaça intensa, os casos de rinite, asma, bronquite e irritação ocular aumentam consideravelmente. A inalação contínua dessas partículas finas provoca uma resposta inflamatória no sistema respiratório. Por isso, a prevenção é o melhor remédio. Devemos focar em manter as mucosas hidratadas, reduzindo o tempo de exposição direta ao ar poluído e prestando atenção aos sinais de alerta do corpo, como falta de ar contínua e chiado no peito”, orienta.
Ele ainda dá dicas sobre como adotar pequenos hábitos diários para minimizar os impactos do ar poluído no organismo. Quando a fumaça estiver visível, recomenda-se o uso de máscaras do tipo PFF2/N95 para saídas externas, pois retêm as micropartículas finas com maior eficiência do que as máscaras de tecido convencionais. Também é importante beber bastante água ao longo do dia para manter as vias aéreas úmidas, facilitando a remoção natural das impurezas. O uso de soro fisiológico para lavagem nasal diária é indispensável.
Outra dica é manter as portas e janelas fechadas durante os horários de maior pico de fumaça e utilizar umidificadores de ar ou colocar bacias com água e toalhas molhadas nos cômodos. Além disso, evite corridas, caminhadas e esportes em espaços abertos quando os índices de qualidade do ar estiverem nas faixas “ruim” ou “péssimo”, dando preferência a ambientes fechados. Ao chegar da rua, tome banho e troque de roupa para eliminar os resíduos de fuligem acumulados na pele e no cabelo.
Diante do agravamento de sintomas como dificuldade respiratória grave, persistência de febre, dor no peito ou episódios intensos de cansaço, a recomendação das autoridades de saúde e de especialistas é procurar imediatamente atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou pronto-socorro.
Foto: Carlos Gurgel.
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