Agente de portaria quer mudar versão e agora afirma que não matou servidora do TRT em Manaus, diz advogado

Defesa diz que visitou Caio Claudino na prisão, e que o suspeito quer voltar atrás no depoimento dado à Polícia Civil. Servidora foi assassinada dentro do próprio apartamento.

O agente de portaria Caio Claudino, suspeito de matar a servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região Silvanilde Ferreira, em Manaus, quer mudar sua versão sobre os fatos e agora afirma que não matou a vítima. A informação é do advogado de Caio Claudino, Samarone Gomes.

g1 entrou em contato com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), para obter novas informações sobre o caso, mas a instituição afirmou que as investigações “estão sob segredo de Justiça” e que “outras informações não podem ser repassadas”.

Silvanilde foi assassinada no dia 21 de maio, dentro do próprio apartamento, situado em uma área nobre da capital. Caio Claudino foi preso no dia 31. De acordo com a Polícia Civil, o agente de portaria estava sob efeito de drogas e matou por dinheiro.

Ao ser preso, o suspeito confessou o crime. No entanto, neste fim de semana, ele disse à defesa que quer mudar a versão.

Neste sábado (4), o advogado do agente de portaria contou ao g1 que esteve com o suspeito nessa sexta-feira (3), no Centro de Detenção Provisória (CDP). Lá, Caio Claudino disse que nunca esteve no apartamento de Silvanilde e, portanto, não a matou.

“O Caio, no dia da prisão dele, estava muito alterado. Tinha muita imprensa, ele também estava muito assustado. Ele falava coisa com coisa. Uma hora dizia que tinha dado uma facada, uma hora dizia que não. Então, falei que ia esperar passar esse estado dele. Fui lá ontem e a narrativa dele mudou. É a narrativa dele”, disse Samarone Gomes.

“Ele disse que não esteve no apartamento e que não foi ele. Ele não esteve no apartamento”, contou.

Ainda segundo o advogado, o caso ainda está na fase de investigação na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Ao final dessa etapa, ele espera poder ter acesso aos autos para saber qual procedimento vai adotar.

“O que a gente vai fazer é analisar os elementos de prova produzidos. Vai fazer uma análise processual, ver a realização de perícias, cena do crime, para ver se bate todas as informações dele e da própria autoridade policial”, afirmou.

Embora ainda não tenha apresentado nada à polícia, o advogado levantou suspeita sobre os elementos que foram apresentados, como as imagens das câmeras de segurança do sistema interno do condomínio onde Silvanilde morava. Para ele, se Caio Claudino tivesse assassinado a vítima, o agente de portaria estaria todo coberto de sangue.

“Nas câmeras aparece, ele entrando e saindo. Ele entra no andar dela e depois ele sai. Se você olhar as imagens do elevador, não tem um pingo de sangue. A mancha [de sangue] no braço aparece depois, na moto, ele dirigindo. No elevador não tem nada. no caso de corte na jugular o sangue pode espirrar em até dois metros”, argumentou.

Prisão mantida

No dia 1º, a Justiça do Amazonas manteve a prisão de Caio Claudino, e negou os pedidos da defesa para que ele respondesse o processo em liberdade provisória ou que fosse internado para tratamento de dependência química.

A decisão de homologar a prisão temporária de Caio Claudino foi assinada pelo juiz Caio Cesar Catunda de Souza, plantonista das Audiências de Custódia do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

“Verifico que foram atendidas as formalidades legais necessárias para o efetivo cumprimento do Mandado de Prisão em desfavor do acusado, não se vislumbrando qualquer vício que possa macular a Ordem”, argumentou o magistrado em sua decisão.

Entenda o caso

De acordo com Boletim de Ocorrência (BO) registrado no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na madrugada do dia 22, o corpo da servidora foi encontrado pela filha da vítima, Stephanie Veiga, ainda na noite do dia 21, um sábado.

Ela estava morta dentro do apartamento em que as duas moravam. O imóvel fica no bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus.

À polícia, Stephanie disse que tinha saído com o namorado, Igor Gabriel Melo e Silva. Ela afirmou, ainda, que tentou contato com a mãe duas vezes, por volta das 22h do dia 21, sem obter sucesso.

Stephanie disse que pediu ajuda ao porteiro do condomínio, que informou que ninguém atendia o interfone. O profissional disse à filha que os veículos estavam todos nas respectivas vagas.

De acordo com o BO, a filha decidiu ligar para a mãe depois que recebeu um alerta no celular.

Ainda conforme o boletim, a jovem voltou ao apartamento junto com o namorado e encontrou o corpo da mãe estendido no chão da sala, de bruços sobre uma poça de sangue. O local não tinha sinais de arrombamento e o celular da vítima foi levado.

Silvanilde era diretora da 15ª Vara do Trabalho de Manaus, do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11).

*Por g1 AM

 Foto: Foto: Reprodução/Facebook

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