COVID-19 EM MANAUS: MEDO, INSEGURANÇA, APREENSÃO E INDIGNAÇÃO

Por GERALDO ROCHA

ADMINISTRADOR DE EMPRESAS CRA AM/RR 1-4882

O Clima de terror e apreensão que vem sendo imputado aos amazonenses, em especial aos manauaras, através dos diversos meios de comunicação, inclusive em rede nacional é realmente estarrecedor. Muitos estão evitando ligar a TV, pois os noticiários só falam e apontam mortes por  conta do corona vírus. As informações veiculadas, relatam que o Amazonas lidera o ranking de casos de COVID-19, apresentando a mais alta taxa de incidência do vírus dos estados do país. Boletins com dados oficiais do Ministério da Saúde, registram até o dia 21 de abril, a confirmação de 2.270 casos, no Amazonas, totalizando 193 mortes, tendo a maioria destas ocorridas na capital.

Segundo publicação do “UOL de 21/04/2020 das 13h14”, no último domingo, Manaus registrou o pico de enterros diários, num total de 122 e nessa mesma veiculação, o Prefeito admite que a cidade também passa por um “colapso funerário”. A reportagem também relata que entre os dias 12 e 19 de abril, 656 corpos foram sepultados nos cemitérios administrados pela Prefeitura de Manaus, ou seja,  82 enterros por dia nesse período, aumentando ainda mais a apreensão das famílias manauaras.

Paralelamente, notícias de toda ordem aparecem nas mídias sociais: compras supostamente superfaturas; polêmica locação de instalações para funcionamento de Hospital com 400 leitos;  mudança do secretário da saúde; falta de estrutura nos SPAs (atendentes, médicos, enfermeiros, EPIs, medicamentos) dentre outras necessidades e demais situações duvidosas e questionáveis também comentadas. A população está insegura, com medo, apreensiva e indignada com tudo que está ouvindo e vendo.

Voltando para a linha estatística, abaixo demonstro quadro com dados extraídos do IBGE -“Sistema de Estatísticas Vitais”, que apresentam resultados preliminares do total de óbitos por grupo de idades e por sexo, incluídos no sistema em 16/04/2020, referentes ao ano de 2019, ocorridos em Manaus:

MANAUS: ÓBITOS EM 2019
HOMENSMULHERESTOTAL
6.515                   (% 58,87)     4.552                   (% 41,13)   11.067
HOMENS/FAIXA ETÁRIA:
60 A 6465 A 6970 A 7475 A 7980 A 8485 A 8990 A 99+ 100TOTAL
537593568512435292222253.184
15 A 1920 A 2425 A 2930 A 3435 A 3940 A 4445 A 4950 A 59TOTAL
2383853552922742802768072.907
– DE 11 A 45 A 910 A 14TOTAL
316422145   424
TOTAL GERAL6.515
MULHERES/FAIXA ETÁRIA:
60 A 6465 A 6970 A 7475 A 7980 A 8485 A 8990 A 99+ 100TOTAL
328426427427483370400392.900
15 A 1920 A 2425 A 2930 A 3435 A 3940 A 4445 A 4950 A 59TOTAL
567078921371811985121.324
– DE 11 A 45 A 910 A 14TOTAL
234482026   328
TOTAL GERAL4.552
Fonte: IBGE

Como podemos observar no quadro acima, os dados coletados demonstram um total de 11.067 óbitos com média simples de 922 por mês em 2019. Os óbitos de idosos nas faixas acima de 60 anos totalizaram 6.084, consistindo em 3.184 homens e 2.900 mulheres, representando 54,97% das mortes. Outro dado interessante de ser observado e comparado, é a relação entre os óbitos homens x mulheres nas faixas compreendidas entre 15 a 29 anos, que somam 1.182 óbitos, correspondem a 978 (82,74%) mortes de homens e 204 (17,26%) de mulheres, nessa faixa podemos considerar/afirmar que se concentram em maior número, as mortes por crimes violentos e acidentes de trânsito, que tanto vitimam nossos adolescentes e jovens em sua grande maioria os do sexo masculino.

Políticas públicas necessitam ser revistas, estarem realmente adequadas, não paliativas e maquiadas como muitas que ainda aí estão. Os governos devem efetivamente implementar uma educação de qualidade, que gere oportunidades e segurança, para um público tão carente e ávido por preencherem suas necessidades nesse mundo globalizado e competitivo. Bom, muitas outras interpretações, análises e perguntas podem ser feitas embasadas nas informações relacionadas no quadro referentes aos óbitos ocorridos em 2019.

Retornando ao atual momento de pandemia do corona vírus, em especial na nossa cidade,  avaliando todo o cenário retratado e números de contágios e mortes que compõem os dados estatísticos mencionados, divulgados e enviados por nossas autoridades ao Ministério da Saúde Brasileiro, tendo por base os números divulgados em 21.04 (contágios 2.170/mortes 193) e após as observações e comentários dos óbitos registrados nesse anterior ano, fica a pergunta: onde estão as informações quantitativas das mortes de pessoas por outros tantos tipos de doenças e comorbidades pré-existentes, em especial de idosos que em 2019 totalizaram 6.084, espelhando uma média mensal de 507 mortes, de pessoas que vinham hospitalizadas, vitimadas por agentes de toda natureza, das que estavam em tratamento domiciliar por diversas enfermidades, será que reduziram-se drasticamente? Confiança é a palavre chave, ela nos falta em relação aos atuais atores políticos, não apenas do nosso estado. Fica a interrogação. Cada um que tire suas conclusões!   

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