Um estudo inovador traz uma nova perspectiva para o tratamento da doença renal crônica (DRC) em pacientes com diabetes tipo 1, uma complicação grave que há décadas carece de opções terapêuticas específicas.
O estudo FINE-ONE, cujos resultados foram recentemente divulgados, demonstrou o potencial da finerenona, um medicamento que atua na proteção renal, em adultos com diabetes tipo 1 e DRC. Essa descoberta surge após mais de 30 anos de espera por uma inovação que possa alterar o curso dessa condição debilitante.
O diabetes tipo 1, doença autoimune que leva à destruição das células produtoras de insulina no pâncreas, aumenta o risco de diversas complicações crônicas, incluindo a DRC. Estima-se que cerca de 30% das pessoas com diabetes tipo 1 desenvolvem DRC, e até um quarto desses pacientes pode evoluir para insuficiência renal terminal, necessitando de diálise ou transplante. Além disso, a DRC eleva consideravelmente o risco de doenças cardiovasculares, representando uma das principais causas de óbito nessa população.
Até o momento, o tratamento padrão para DRC em pacientes com diabetes tipo 1 se baseava no controle da glicemia, hipertensão arterial e albuminúria, utilizando medicamentos como inibidores da ECA e bloqueadores dos receptores da angiotensina. No entanto, essas opções terapêuticas apresentavam limitações, e nenhum medicamento específico havia sido aprovado para retardar a progressão da DRC nessa população.
O estudo FINE-ONE, um ensaio clínico de fase III realizado em diversos centros de pesquisa em nove países, avaliou o efeito da finerenona em 242 pacientes com diabetes tipo 1 e DRC. Os participantes receberam finerenona ou placebo diariamente, além do tratamento padrão. O principal objetivo era avaliar a alteração na quantidade de proteína excretada na urina, um importante indicador de lesão renal.
Após seis meses, os resultados revelaram que a finerenona reduziu a proteinúria em 25% em relação ao valor inicial. Além disso, 68% dos pacientes tratados com finerenona alcançaram uma redução de pelo menos 30% na proteinúria, um índice considerado pela Associação Americana de Diabetes (ADA) como associado à progressão mais lenta da doença renal.
Esses resultados destacam a finerenona como o primeiro medicamento em mais de 30 anos a demonstrar eficácia significativa contra a progressão da DRC em pacientes com diabetes tipo 1. A finerenona já havia apresentado resultados positivos em pacientes com diabetes tipo 2, demonstrando a redução do risco de insuficiência renal e de eventos cardiovasculares. O estudo FINE-ONE expande esse conhecimento para a população com diabetes tipo 1, que até então não dispunha de alternativas terapêuticas específicas.
O medicamento se mostrou bem tolerado pelos participantes do estudo, com um perfil de segurança consistente com estudos anteriores. Embora a elevação de potássio tenha sido mais frequente no grupo tratado com finerenona, nenhum caso fatal foi registrado, e as taxas de interrupção do tratamento foram baixas.
Os resultados promissores do estudo FINE-ONE renovam as esperanças no manejo da DRC associada ao diabetes tipo 1, e espera-se que a finerenona em breve receba indicação formal para o tratamento dessa condição. Se aprovada, essa terapia poderá representar um avanço significativo na prevenção da progressão da doença renal nessa população, inaugurando um novo capítulo na integração entre cardiologia e nefrologia de precisão.
Fonte: saude.abril.com.br


