Prefeitura reforça compromisso da atenção primária para cuidado com bebês cardiopatas

Com o objetivo de fortalecer as ações articuladas entre município e Estado para o cuidado com crianças que apresentam cardiopatia congênita, a Prefeitura de Manaus promoveu nesta quinta-feira, 10/6, o 1º Seminário Municipal de Conscientização da Cardiopatia Congênita, com ampla participação de profissionais de saúde da atenção primária e da média e alta complexidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

A programação técnica, realizada no auditório Deodato de Miranda Leão, na sede da Secretaria Municipal de Saúde, na zona Centro-Sul,  e foi transmitida ao público pelo canal do órgão, no YouTube, possibilitando o compartilhamento de experiências, informações e dados entre os profissionais dos vários níveis de atenção do SUS sobre o tema.

Para a diretora do Departamento de Atenção Primária da Semsa, Sonja Ale Farias, a interlocução com os vários profissionais que compõem a rede de saúde foi um dos aspectos mais positivos do seminário, que faz parte do Plano Municipal de Atendimento às Gestantes de feto com cardiopatia congênita e seguimento dos recém-nascidos cardiopatas em Manaus.

“É extremamente importante essa interlocução, para que todos tenham a percepção da importância do seu trabalho na cadeia de atendimento do bebê, desde a vida intrauterina ao seu nascimento e desenvolvimento”, pontuou.

A enfermeira Ivone Amazonas, chefe do Núcleo de Saúde da Criança da Semsa, explicou que a secretaria atua na Atenção Primária enfocando trabalhos preventivos de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança por meio da puericultura. Quando, por meio de exame de ultrassom, há identificação de cardiopatia congênita, a gestante é encaminhada à rede de alta complexidade, gerenciada pelo Estado, para receber o tratamento adequado e assim garantir a saúde do seu filho.

Paralelamente a esse atendimento, o pré-natal na rede primária prossegue para que uma série de medidas sejam tomadas para resguardar mãe e filho. “O pré-natal é fundamental porque engloba um conjunto de cuidados essenciais para a identificação precoce de uma cardiopatia e de outras condições de saúde”, disse Ivone.

Plano

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança é embasada em dois eixos principais: a vigilância e mortalidade infantil e a atenção à saúde do recém-nascido. Partindo desses princípios, o Ministério da Saúde criou um plano nacional para manejo da cardiopatia congênita, que integra todos os níveis de atenção do SUS.

O objetivo principal é criar estratégias para evitar óbitos de recém-nascidos e de crianças menores de cinco anos. A mortalidade neonatal representa de 60% a 70% dos óbitos entre crianças. Vinte e cinco por cento desses óbitos ocorrem no primeiro dia de vida e as cardiopatias congênitas correspondem a cerca de 10% dos óbitos infantis, informou a chefe do Núcleo de Saúde da Mulher da Semsa, Gerda Coelho.

Como forma de reduzir os índices de mortes evitáveis, Estados e municípios do Brasil ficaram responsáveis por criar o seu plano de atendimento aos casos de cardiopatia congênita.

Gerda ressaltou que, por meio de um exame de ultrassom obstétrico, é possível diagnosticar se o feto tem cardiopatia congênita. Uma vez detectada a má formação na estrutura do coração do feto, a gestante é encaminhada ao ambulatório de pré-natal de alto risco, mas o atendimento a esSa usuária continua sendo prestado na atenção primária pela Semsa. 

“Se a mulher estiver em uma condição de feto cardiopata vai precisar fazer vinculação com uma maternidade de alto risco, no caso, Ana Braga ou Balbina Mestrinho e seu parto, preferencialmente, deve acontecer nessas maternidades porque elas têm UTI neonatal e aparato tecnológico adequado para atender o bebê cardiopata nas primeiras horas. Nós, da atenção básica, contribuímos com os cuidados relacionados à mulher”, pontuou.

Depois que o bebê nascer, será encaminhado para o hospital habilitado pelo Ministério da Saúde para cirurgias cardíacas em bebês no Amazonas, que é o Francisca Mendes, localizado na Cidade Nova, zona Norte, gerenciado pelo Estado.

Após a cirurgia, os cuidados com a criança são compartilhados pelo ambulatório do Francisca Mendes e pelas unidades ambulatoriais da Atenção Primária, acompanhamento que se mantém ao longo da infância.

Esforço coletivo

O cardiologista pediátrico do Hospital Francisca Mendes, Ronaldo Camargo, que participou do seminário, elogiou a mobilização dos profissionais do município e do Estado, que abraçaram a causa em um esforço integrado para garantir qualidade de vida às crianças com uma condição de saúde delicada e que precisam de apoio.

“Estamos todos empenhados em criar condições de rastreamento e garantir o diagnóstico ainda no período gestacional. Ações como essas de hoje podem promover uma mudança radical no cenário da mortalidade infantil e principalmente dos cardiopatas. Fazendo esse diagnóstico a tempo podemos tratar a criança, aumentando as chances de sobrevida e tratamento”, afirmou.

Texto – Tânia Brandão / Semsa

Fotos – Divulgação / Semsa

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