Vacinação de pacientes com câncer deve retomar cuidados com doença

Com pandemia, algumas pessoas deixaram tratamento oncológico por medo de pegar covid, que é mais letal nesse grupo

A vacinação contra a covid-19 em pacientes com câncer pode ajudar a resolver dois grandes problemas enfrentados por essas pessoas: a insegurança de seguir o tratamento em meio à pandemia e diminuir as chances de elas serem infectadas e que a doença chegue ao estágio grave.

A médica Clarissa Mathias, presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), explica que o câncer não aumenta a chance da infecção, mas sim da letalidade.

“A capacidade de contágio do vírus é a mesma nos pacientes oncológicos e nas pessoas saudáveis. O problema é que o paciente oncológico tem risco maior de pegar o estágio grave da doença. E tem uma letalidade maior também”, explica a presidente.

Pensando nos benefícios da imunização, a SBOC pediu ao Ministério da Saúde a inclusão de todos os pacientes oncológicos entre as prioridades da vacinação contra a covid-19.

“Por enquanto só pacientes em quimioterapia e radioterapia, há menos de seis meses ou atualmente, são prioritários. Infelizmente, não pega uma quantidade grande de pessoas, como os pré-operatórios, pacientes em hormonioterapia”, lamenta a médica.

O Ministério da Saúde, em resposta à reportagem do R7, não comentou sobre a reclamação da SBOC. E respondeu que esse grupo está incluído no PNI (Plano Nacional de Imunização).

Todavia, no trecho do documentos que fala sobre os pacientes com câncer, não estão incluídos todos os doentes.

“Demais indivíduos em uso de imunossupressores ou com imunodeficiências primárias; pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos 6 meses; neoplasias hematológicas”, determina o plano.

Eficácia vacinação em pancientes oncológicos

Mas fica a dúvida se os imunizantes são eficazes nas pessoas com câncer. Diante da velocidade da pandemia os estudos dos efeitos das vacinas da covid ainda estão em andamento. Mas até agora nada foi apresentado para desestimular a vacinação desse grupo.

“Não temos nenhum estudo que mostre uma toxicidade maior das vacinas entre os pacientes oncológicos. Pelo contrário, um estudo recente mostrou que a vacina é segura em relação aos pacientes em imunoterapia, que era uma das nossas grandes dúvidas. Esses pacientes conseguem montar uma boa resposta imune ao vírus”, diz Clarissa.

A imunoterapia é um tratamento contra vários tipos de câncer que ativa o sistema imune para que o organismo lute contra o tumor. As vacinas também são ativadoras do sistema imune, por isso a preocupação maior dos especialistas.

A SBOC indica a vacinação também baseada na experiência com a imunização de outras doenças.

“Pelo histórico, a única vacina contraindicada para pacientes com câncer são aquelas com vírus vivos”, lembra Clarissa.

Vale destacar que nenhum dos imunizantes em uso contra o SARS-CoV-2 é produzido com o vírus atenuado.

Diminuição do tratamento

Mesmo após um ano de pandemia, os pacientes oncológicos seguem negligenciando os tratamentos e as consequências podem ser drásticas.

“Temos muito pacientes que não fizeram exames de diagnósticos, de rastreamento. Tiveram sintomas e não procuraram os médicos. Achamos que a consequência será um aumento dos casos graves e da mortalidade. Isso é muito triste”, lamenta Clarissa Mathias.

As pessoas se sentem inseguras para procurar clínicas e hospitais. Mas a médica lembra que esses lugares estão preparados para receber os pacientes.

“Os profissionais de saúde já estão vacinados. Além de que os pacientes de covid estarem separados dos outros. Ir ao supermercado tem mais chance de ser infectad do que ir a uma clínica ou hospital”, alerta.

E completa: “A vacina vai dar mais segurança para a pessoa seguir o tratamento de câncer. É muito importante que todos sejam vacinados”. 

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