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Volta às aulas exige “detox digital” e ajuste de sono

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A pouco mais de duas semanas para o início do ano letivo, no dia 26 de janeiro, o desafio das famílias é reverter os hábitos flexíveis das férias e alinhar o relógio biológico dos estudantes

Com a chegada da segunda quinzena de janeiro, o clima de férias em Manaus começa a dar lugar ao planejamento para o ano letivo de 2026. Faltando poucos dias para o retorno às aulas, previsto para o dia 26, o maior desafio dentro das casas não é apenas a compra do material escolar, mas a reorganização da rotina doméstica. Após semanas de horários livres e exposição prolongada às telas, o corpo e a mente dos estudantes precisam de uma transição gradual para evitar o choque do primeiro dia de aula.

 

O fenômeno do “jet lag social”, causado pela mudança brusca nos horários de dormir e acordar, pode comprometer o desempenho acadêmico logo na largada. Durante as férias, é comum que crianças e adolescentes estendam a permanência em dispositivos eletrônicos e atrasem o repouso. No entanto, para que o aprendizado seja efetivo, o cérebro precisa estar descansado e habituado a uma disciplina que começa a ser construída agora, de forma antecipada.

 

A exposição excessiva à luz azul de smartphones e tablets é um dos principais vilões desse período. Esse tipo de luminosidade inibe a produção de melatonina, o hormônio responsável pelo sono, mantendo o cérebro em estado de alerta. Para os educadores do Pinocchio Centro Educacional e do Colégio Martha Falcão, o “detox digital” não significa uma proibição total, mas uma redução estratégica para que o aluno recupere o foco e a capacidade de concentração.

 

A diretora das Instituições Nelly Falcão de Souza (INFS), Nelly Falcão, ressalta que esse ajuste deve ser um processo colaborativo entre pais e filhos. “A escola e a família precisam caminhar juntas nessa preparação. O retorno ao ambiente escolar exige uma disposição física e mental que começa com uma noite de sono bem dormida. Sugerimos que os pais iniciem agora um recuo gradual nos horários, trazendo o sono 15 a 20 minutos mais cedo a cada noite, para que no dia 26 o despertar seja natural e sem estresse”, orienta a educadora.

 

No Pinocchio Centro Educacional, que atende a educação infantil, a atenção é voltada para a previsibilidade. Crianças menores sentem mais o impacto das mudanças de hábito. Criar rituais que substituam o celular por livros ou brincadeiras analógicas antes de dormir ajuda a sinalizar ao corpo que o ritmo mudou. O objetivo é que o aluno chegue à escola com a curiosidade preservada e sem a irritabilidade comum à privação de sono.

 

Para os estudantes mais velhos do Colégio Martha Falcão, o desafio do “detox” envolve também a saúde mental. O excesso de redes sociais durante as férias pode gerar ansiedade. A transição para o ambiente escolar, que em 2026 reforça a Educação 5.0 e o uso ético da tecnologia, exige que o jovem saiba distinguir o tempo de entretenimento do tempo de produção intelectual. Disciplinar o uso das telas é, portanto, um exercício de autonomia e protagonismo.

 

A alimentação também entra no radar da adaptação com a retomada de horários fixos para as refeições, o que ajuda o metabolismo a se organizar. Nutricionistas escolares sugerem que, ao reduzir o uso de eletrônicos à noite, as famílias aproveitem para resgatar o hábito das refeições à mesa, fortalecendo os vínculos e diminuindo a ansiedade sobre a volta às aulas.

 

Outro ponto fundamental é a organização do ambiente de estudo. Aproveitar esses dias para limpar a escrivaninha, testar as canetas e conferir o uniforme gera uma sensação de pertencimento e antecipação positiva. Envolver o aluno na logística do dia 26 reduz a resistência ao fim das férias e transforma a expectativa em motivação. O protagonismo, incentivado pela metodologia das INFS, começa na preparação do próprio material.

 

Nelly Falcão reforça que a metodologia da escola prevê o acolhimento, mas que a base biológica é responsabilidade compartilhada. “Não adianta termos a melhor tecnologia e laboratórios como o Martha Maker se o aluno estiver exausto. O descanso é a base da cognição. Quando a família prioriza esse ajuste de rotina em janeiro, ela está investindo diretamente na saúde emocional da criança e no seu sucesso acadêmico ao longo de todo o ano”, afirma a diretora.

 

A prática de atividades físicas ao ar livre, aproveitando os espaços da cidade ou as áreas comuns, também é uma excelente estratégia para gastar energia durante o dia e facilitar o sono à noite. Substituir uma hora de jogo online por uma caminhada ou um esporte ajuda a regular o relógio biológico e combate o sedentarismo acumulado no período de recesso, preparando o corpo para a rotina de educação física e esportes da escola.

 

Vale lembrar que o processo de adaptação não termina no primeiro dia de aula. As primeiras semanas de fevereiro ainda exigem monitoramento constante. No entanto, iniciar o “detox” e a regularização do sono agora coloca o estudante em vantagem, permitindo que ele aproveite desde o primeiro momento os projetos de iniciação científica, bilinguismo e robótica que as instituições prepararam para 2026.

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